Madre Thereza





Necessário esclarecer, para não ser mal compreendido. Primeiro: pareço um urso-bipolar; às vezes frio e assustador; às vezes uma foquinha. Segundo: nunca me interessei por Física mas, sim, por Filosofia, Psicologia, relacionamentos humanos; nem por religião me interesso; mas, apenas, por espiritualidade (Alma, Mente, Espírito, Energias Sutis). Sinto também muita ojeriza por um perceptível “modismo”, ou consumismo pequeno-burguês dessas mesmas ideias; porque nunca consegui me desvencilhar de uma determinada ideologia. Mas uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Yoga (e outras instruções espirituais) nunca foi moda (é transformada em moda pela burguesia, o que é diferente e não é o mesmo que a Yoga), e não só pela burguesia, mas por qualquer mente massificada, burra, individualista, presa a este Tempo e Espaço, apenas ao próprio corpo físico. Acredito que, com o passar dos anos, de muitos anos, décadas e décadas, uma mente curiosa e sagaz pode sim, se quiser, ou até mesmo intuitivamente, absorver dos fatos e fenômenos cotidianos informações que a alimentem, gerando conceitos que se traduzem (ou não)  num “amadurecimento”. Observações empíricas naturalmente conduzidas e coordenadas “automaticamente” muitas vezes até inconscientemente, quando a mente é, de fato, inteligente. 


Assim, também sou fruto deste tempo, e nunca neguei as premissas da Física Clássica, que têm seu campo de aplicação, e que hoje, ou melhor, já há algum tempo, acabou por desembocar numa Física Quântica – que também não me interessa mas que, é Ciência sim, e não misticismo. E eu, nada tenho a ver com isso. Ocorre que, cada vez mais, físicos com formação clássica, ao se aproximarem dos fenômenos quânticos viram aí tremenda similitude com fundamentos e pressupostos espirituais, diga-se de passagem, afirmações verificadas também no Cristianismo, no Hinduísmo e no Tão. Você não precisa estudar Física para chegar a uma concepção de mente, uma concepção de “Mente Cósmica”, ou seja, Deus. Assim como você não precisa negar a Física, nem a Clássica, nem a Quântica só porque acredita em um Deus. A consciência não pode ser analisada, medida, pesada, pela Física. Entretanto ela existe. Medir alterações na base material do cérebro não é o mesmo que medir ou provar a existência da mente/consciência; porque, se  assim o fosse, constatar variações físico-químicas em qualquer outra parte do corpo, ou mesmo fora deste, demonstraria a “identificação” de algum tipo de mente. Não. A mente mantém-se imensurável, e o que é pior, em espaço e tempo não determinado. Como eu posso falar sobre isso? Ora, porque há mais de 50 anos venho “experimentando” e “acompanhando” as reações, expressões e transformações da minha própria mente. Sim! Eu experimento uma Mente. E te digo que ela, ao longo desses anos todos se modificou consideravelmente, parecendo dar um 180 ou um 360 em espiral, de forma que já nem sei mais se sou o mesmo que era antes. 


Muito do que eu acreditava antes (verdades), hoje já não acredito (tornaram-se mentiras?). E, assim como na Natureza existem toda sorte de “manifestações” formas diversificadas de vida, espécies existe também uma diversidade de tipos de “mentes” Seria a mente feita de matéria? Que tipo de matéria? E a Psicologia é uma Ciência ou uma farsa? Qual o objeto de estudo da Psicologia? A mente abstrata? Ou o comportamento humano? As reações humanas? Mas aí o foco se deslocaria da mente para o corpo físico? Então poderíamos dizer que se assemelharia a algum tipo de "mecânica" do corpo? Que engodo! Pode um físico provar que a Consciência existe ou não existe? O irônico é que eles têm que aceitar e conviver com esse fenômeno Dormem e sonham, pensam, imaginam; apesar de ser tudo tão abstrato e irreal. Anti-matéria? Onde está? Dentro da cabeça? No cérebro? Onde está? Como negar? Como demonstrar? Existe mesmo infinitude? Ou apenas ignorância de algo imensurável? Assim, muito embora as ciências exatas nos façam sentido, estejam no caminho certo (e às vezes não), jamais alcançarão o que parece estar “fora” desta nossa dimensão. Nossas limitações. Coisas que existem (como a mente), e que não podem ser provadas, mas, apenas experimentadas, vividas...